Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

ESA desenvolve sofisticada ferramenta de meteorologia espacial

Uma ferramenta sofisticada, em desenvolvimento no ESOC, promete fornecer meios eficazes de monitorização e previsão, de modo a prevenir que os sistemas electrónicos de bordo se despedacem, os instrumentos científicos se danifiquem e o satélite se perca de vez, devido a partículas de elevada energia ou outros fenómenos de meteorologia espacial.

De acordo com a ESA, a actividade solar influencia todo o sistema solar de várias formas, incluindo a geração de correntes de partículas energéticas que se movem rapidamente e explosões repentinas de raios X perigosos durante as chamas solares. Os raios cósmicos energéticos de qualquer outro ponto na galáxia penetram também no nosso sistema solar. Estes fenómenos estão entre as principais causas do comportamento anormal e do envelhecimento dos satélites e dos seus sensíveis instrumentos científicos.

Mas desde inícios de 2005, o SEISOP (Sistema de Informação sobre o Ambiente Espacial para Operações) – ferramenta de monitorização e previsão da meteorologia espacial, em desenvolvimento no Centro de Operações Espaciais da ESA – tem vindo a oferecer, com sucesso, relatórios quase em tempo real ao Integral, o observatório espacial de raios gama da ESA.

Como informa a ESA, o SEISOP, desenvolvido em colaboração com o Projecto Piloto de Aplicações de Meteorologia Espacial da ESA com financiamento da portuguesa Task Force ESA/ Portugal, inclui uma base de dados dos registos do estado dos satélites e das observações meteorológicas espaciais a nível mundial, juntamente com sofisticadas aplicações de software que fornecem relatórios, avisos, previsões e um rastreio histórico para a Equipa de Controlo de Voo do Integral.

"A meteorologia espacial afecta os satélites de várias formas. Podem dar-se perdas aleatórias de dados, alterações na dinâmica da órbita e uma redução da qualidade de dados científicos. Por isso, as actualizações em tempo real são essenciais na altura de decidir quanto tempo se devem desligar os instrumentos durante períodos de risco," afirma Alessandro Donati, responsável pelo Gabinete de Tecnologias e Conceitos Avançados de Missões, sedeado no ESOC.

O SEISOP, membro da Rede Europeia de Meteorologia Espacial (SWENET), permite aos controladores da missão preverem quando devem desligar instrumentos como star trackers, colocar os sistemas no 'modo de segurança' ou tomar outras medidas para proteger os sensíveis componentes electrónicos e os sensores científicos a bordo.

Enquanto que alguns instrumentos estão equipados para se desligarem automaticamente durante períodos adversos, nem todos eles estão, e reactivar um instrumento após uma paragem automática requer bastante tempo. Além disso, e ainda segundo a ESA, até hoje tem sido difícil saber quando a radiação desce a níveis seguros, depois de se dar um fenómeno particular, como por exemplo uma chama solar.

No decorrer deste ano, o SEISOP passará por um desenvolvimento operacional com vista a fornecer a todas as missões da ESA as mesmas actualizações vitais de meteorologia espacial. Alessandro Donati e a restante equipa espera começar a trabalhar este ano para criar a versão operacional final. Estes responsáveis salientam que “o SEISOP pode potencialmente fornecer serviços de aviso não só para a ESA mas também para agências espaciais em todo o mundo, uma vez que a meteorologia espacial pode afectar qualquer satélite".

in: http://www.cienciapt.net/noticiasdesc.asp?id=14501