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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

China vs India

 

 

Há questões que se levantam relacionadas com o crescimento e afirmação chinesa na Ásia. A principal parece ser: como irão reagir os outros países asiáticos à afirmação da China como potencial regional e mundial na área espacial? Irão responder de uma forma agressiva ou ficarão calmos na sombra? Para nações mais pobres e com pouca ou nenhuma tecnologia desenvolvida, parece mais vantajoso cooperar com a China naquilo que serão os seus objetivos espaciais. Ou seja, as limitações financeiras terão um papel preponderante naquilo que será a cooperação espacial asiática.[1]

 

Contudo, apesar da promissora cooperação espacial asiática, a Índia surge cada vez mais no panorama e, tendo em conta os avanços mais recentes no seu programa espacial, como um rival de peso à liderança chinesa. Surpreendentemente, e apesar de a Índia ter armamento nuclear desde 1974, o seu programa espacial sempre teve orientações pacíficas. Ao contrário da China, dos EUA e até da Rússia, os veículos de lançamento indianos só tiveram origem em sistemas de propulsão civis e não em mísseis balísticos convertidos em lançadores. Até muito recentemente, a Índia não tinha qualquer tipo de programa espacial militar tendo durante décadas dedicado o seu programa espacial a satélites de observação remota, comunicações e meteorologia para servir a economia indiana, e a vasta e dispersa população.

 

Porém, o crescimento da China e a aproximação e cooperação com os EUA, e o esforço indiano de colocar alguma ênfase das suas capacidades militares, colocaram os holofotes sob o programa espacial indiano. Assim, já em pleno século XXI, a Índia lançou um avançado sistema de navegação, abriu um comando militar espacial, e falou abertamente sobre capacidades cinéticas antissatélite e possíveis armas a laser.

 

Os esforços espaciais da China, nomeadamente a tentativa de chegar ao objetivo primeiro que todos os outros, colocou pressão na Índia para que evolua rapidamente nas suas capacidades espaciais. De facto, a Índia tem colocado bastantes esforços na exploração lunar, onde tem recolhido prestígio e admiração pela sua pesquisa. Contudo, começa a existir alguma discussão interna sobre se a Índia deverá focar-se e de quais serão os parâmetros para a exploração humana do espaço. Isto revela que o tradicional foco da Índia no espaço poderá mudar nos próximos anos, principalmente se quer competir com os seus rivais regionais, promover a sua segurança nacional, e estabelecer uma reputação internacional assente nos seus progressos espaciais.[2]

 

Algumas organizações internacionais relacionadas com a área científica, tecnológica e espacial, como a UNESCAP e a CSSTEAP, estão localizadas na Índia, o que faz com que beneficie dos privilégios de acolher estas instituições internacionais. A Índia tem também sido procurada cada vez mais na área de lançamentos comerciais. Além disso, o sucesso do programa espacial indiano demonstra os avanços tecnológicos de todo o programa espacial indiano.[3]

 

Apesar de a Índia ter ratificado a maioria dos tratados internacionais na área do Espaço, há questões que começam a surgir que colocam em causa a continuidade de exploração espacial apenas com fins pacíficos. Na verdade, os analistas indianos identificam a China como sendo a maior ameaça nesta área. Quando a Índia considera que os avanços da China no campo militar assentes em tecnologia espacial e o seu impacto na Ásia e que tendo em conta numa situação volátil o desequilíbrio regional servirá apenas para aumentar as tensões regionais, poderá despoletar uma corrida à militarização do espaço.[4]



[1] CHAMBERS, Rob, “China’s Space Program: a new tool for PRC - Soft power in international relations, pp. 63-65, ibid

[2] MOLTZ, James Clay (2011), ibid pp. 109-111

[3] CHAMBERS, Rob, “China’s Space Program: a new tool for PRC - Soft power in international relations, pp. 63-64, ibid

[4] MOLTZ, James Clay (2011), ibid pp. 128

 

 

(extraído da Tese de Mestrado: "A influência da exploração espacial na política internacional", por Vera Gomes)