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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

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Demissão de Rumsfeld

A demissão de Donald Rumsfeld de Secretário da Defesa dos Estados Unidos, anunciada hoje, põe fim a seis anos de uma perspectiva belicista da política internacional que se saldou com duas guerras longe de estarem resolvidas.
Considerado um cérebro brilhante, Rumsfeld, de 74 anos, cumpriu a sua segunda passagem pelo Pentágono – depois de ter sido nomeado pela primeira vez pelo Presidente Gerald Ford – sem ter alcançado os principais objectivos que levaram os Estados Unidos para a guerra no Afeganistão e no Iraque.
Figura charneira dos neo-conservadores dentro da Administração de George W. Bush, Rumsfeld manteve uma relação distante e conflituosa com as lideranças das Forças Armadas, fiel da máxima de que a guerra é demasiado importante para ser deixada na mão dos militares, mesmo tendo em conta que conseguiu aumentar o orçamento e o peso dos militares na sociedade norte-americana.
Sujeito a uma pressão cada vez maior por causa do Iraque, o Secretário da Defesa não sobreviveu às críticas provenientes de todos os quadrantes, principalmente entre militares e ex-militares, que culminou esta segunda-feira com um editorial conjunto publicado pelo “Army Times”, “Navy Times”, “Marine Corps Times” e “Air Force Times” a pedir a sua demissão.
“Rumsfeld perdeu o seu crédito com as chefias, com as tropas, com o Congresso e com a opinião pública. A sua estratégia falhou, a sua capacidade para liderar está comprometida”, lia-se no editorial que tornava público o desconforto em todas as forças armadas em relação ao seu Secretário de Estado.
Apesar de ainda durante a campanha para as eleições de terça-feira, que se saldaram por uma derrota esmagadora dos republicanos, o Presidente Bush ter reiterado a sua confiança em Rumsfeld e em Dick Cheney, garantindo que iriam ficar até ao final do mandato, as críticas eram já demasiado ensurdecedoras para deixarem de ser ouvidas na Casa Branca.
O Presidente não teve outro remédio do que aceitar a demissão de Rumsfeld: “Ambos éramos de opinião de que era necessária uma cara nova à frente do Pentágono e da guerra no Iraque”, declarou hoje em conferência de imprensa.
O bichinho da política
Licenciado na Universidade de Princeton, piloto de aviões na Marinha dos Estados Unidos, Rumsfeld deixou-se seduzir pela política muito cedo e foi eleito pela primeira vez para o Congresso em 1962, com 30 anos.
Em 1969, foi convidado pela Administração de Richard Nixon e assumiria vários cargos intermédios até ser nomeado embaixador na NATO em 1973.
Voltou a Washington com o Presidente Gerald Ford, que assumiu depois da demissão de Nixon, para ser, primeiro, chefe do seu gabinete de transição e, depois, chefe de Gabinete.
Quando Rumsfeld passou para Secretário da Defesa foi substituído no cargo precisamente por Dick Cheney.
Depois da derrota de Ford pelo democrata Jimmy Carter, teve uma carreira de sucesso no sector privado, dirigindo a farmacêutica Searle (1977-1985) e depois uma empresa de alta tecnologia, a General Instrument Corporation (1990-93). Entre as duas foi assessor especial de um banco de investimentos.
Porém, nunca se afastou da política executiva, sendo conselheiro especial da Administração Ronald Reagan para questões de armamento e sobre o Médio Oriente, além de ter coordenado a Comissão para Avaliar a Ameaça de Mísseis Balísticos.
Identificado com os princípios ultraliberais da escola de Chicago, Rumsfeld chegou a pensar candidatar-se a Presidente em 1988, sem nunca ter assumido verdadeiramente essa vontade.

in, Lusa