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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

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Viagem só de ida

 

MARS ONE

 

 

 

Mais de um milhar de pessoas foram pré-selecionadas para participar num grupo de eventuais primeiros colonos do planeta Marte em 2025, indicou esta sexta-feira a empresa Mars One, na origem do projeto.

 

Mais de 200 mil pessoas de 140 países inscreveram-se para fazer parte desta primeira vaga de colonização e 1058 passaram à segunda fase de seleção, indicou a empresa holandesa em comunicado.

 

"O desafio, com 200 mil inscritos, é separar aqueles que pensamos serem capazes, mental e fisicamente, de se tornarem os embaixadores humanos em Marte, daqueles que levam a missão menos a sério", assegurou Bas Lansdorp, co-fundador e presidente da Mars One, citado no documento.

 

O projeto Mars One, que pretende financiar a ida para o planeta vermelho, nomeadamente com emissões de televisão, conta com muitos céticos, apesar do apoio do holandês Gerard 't Hoofd, prémio Nobel da Física em 1999.

 

A empresa vai selecionar, em várias fases, os 24 potenciais colonos, repartidos em seis grupos de quatro pessoas.

 

Estes selecionados deverão passar por várias séries de testes físicos, médicos e mentais, e participar em "simulações, nomeadamente em grupo, com um particular interesse pelas suas capacidades físicas e emocionais", acrescentou a Mars One.

 

A empresa tinha anunciado em dezembro ter assinado um contrato de 250.000 dólares com a Lockheed Martin Space Systems, a divisão espacial do grupo de defesa norte-americano, para estudar o "conceito" de um engenho de aterragem. Este engenho deverá em primeiro lugar ser enviado vazio pra o planeta vermelho em 2018.

 

Até agora, só houve missões robóticas a Marte, todas levadas a cabo com êxito pela NASA. Os Estados Unidos estão, no entanto, determinados a enviar astronautas para aquele planeta dentro de 20 anos.

 

Além da dificuldade de encontrar os seis mil milhões de dólares necessários, segundo as estimativas, o projeto Mars One, que conta com financiamentos privados e tem uma campanha de crowdfunding no Indiegogo, enfrenta numerosos obstáculos.

 

Os astronautas, além de não poderem regressar à Terra, deverão viver em pequenos habitats, encontrar água, produzir o seu oxigénio e cultivar os seus próprios alimentos.

 

Ora, Marte é um grande deserto cuja atmosfera é sobretudo constituída por dióxido de carbono e onde a temperatura média é de -63 graus Celsius.

 

in Dinheiro Vivo