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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

A história repete-se?

Em 1986, o Challenger explodia segundos após o lançamento. O mundo viu repetidamente as imagens do acidente. As causas do acidente foram apontadas como sendo uma fuga num tanque de combustível.
Os dirigentes da NASA estavam ansiosos por lançar o Challenger por motivos económicos, pressões políticas e questões de calendarização. A NASA queria lançar o Challenger nas datas previstas para que a plataforma de lançamento fosse preparada a tempo para a missão seguinte que consistia no lançamento de uma sonda que iria estudar o cometa Halley. Se fosse lançada dentro do previsto, esta sonda iria recolher dados dias antes dos russos lançarem uma sonda idêntica. Provavelmente haveria também pressão para que o Challenger estivesse no espaço aquando do discurso do Estado da União de Ronald Reagan cujo tópico principal seria Educação. Como seria também suposto que o Presidente fizesse referência ao Challenger e à primeira professora no espaço.

Em 2003, o programa shuttle sofreu mais um acidente: o Columbia desintegrou-se ao reentrar na atmosfera terrestre. O Columbia havia perdido placas do revestimento térmico ao ser lançado e isso provou-se fatal para toda a tripulação.
Este acidente colocou em causa a continuação do programa espacial, custos, benefícios de toda a exploração espacial, independentemente da forma como fosse efectuada. Questionou também o investimento na Estação Espacial Internacional e a eficácia da gestão da NASA. Pôs ainda em cima da mesa os objectivos do programa espacial americano na sua globalidade. O Senador John MacCain colocou em causa o papel da Administração americana e do Congresso na negligência com questões de segurança do programa espacial em geral e com o shuttle em particular. Levantou a questão da idade e do papel da frota Shuttle, o impacto na ISS, a quantidade de experiências científicas a bordo do shuttle e da ISS e ainda o valor de voos tripulados e não tripulados.
O Relatório de segurança efectuado com o acidente de 1986 não havia sido implementado nem tão pouco era conhecido o seu paradeiro. O shuttle ficou em terra por algum tempo.
Em Julho de 2006, três anos depois do acidente do Columbia, a história repete-se. O Discovery que leva mantimentos e um astronauta para a ISS perde placas de revistemento do escudo térmico ao deslocar. A missão do Discovery no espaço continua, e a Nasa tenta perceber a gravidade dos danso no escudo térmico. Fica a dúvida no ar: será que ao fim de tantos anos de programa shuttle e dos acidentes que já houveram, um deles ainda muito recente, a Nasa continua sem implementar medidas de segurança recomendadas há vinte anos? Será que os cortes orçamentais do Congresso afectam a segurança dos programas espaciais e dos seus astronautas?