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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Brasil em apuros

Maio 29, 2015

Vera Gomes

Foto: Divulgação/AEB – Maquete do VLS em exposição no CLA.

 

Um dos mais emblemáticos programas de desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, a construção do Veículo Lançador de Satélite (VLS), está em vias de um colapso.

 

Na audiência pública do passado dia 26 na Câmara dos Deputados, o vice-director do Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA), Wander Golfetto, afirmou que o programa pode não ser concluído por falta de verba, recursos humanos qualificados e dificuldades tecnológicas.

 

Números apresentados pelo DCTA apontam para a descontinuidade de recursos para o VLS, previstos no Programa Nacional de Actividades Espaciais (Pnae), documento orientador de investimentos da área. No total, o programa deveria receber cerca de R$ 155 milhões. No entanto, até o momento, foram executados R$ 108 milhões.

 

A previsão inicial era de que o veículo estaria completamente finalizado este ano. Agora, no entanto, a expectativa mudou. Hoje, o planejamento é para testar parte do foguete no fim de 2016.

 

“Temos o veículo todo reprojectado. Estamos trabalhando num lançamento de um voo tecnológico, que visa testar a parte baixa do VLS, onde tivemos algumas dificuldades no acendimento do segundo estágio e na separação dos estágios. A análise servirá também para avaliar o sistema de navegação inercial que foi desenvolvido dentro do DCTA. Ele é baseado em fibra óptica. Já foi testado em aviões, no solo, agora precisamos fazer um voo espacial para certificar este veículo”, explicou Golfetto.

 

O passo seguinte, que serviria para fazer com que o VLS colocasse um satélite em órbita está impossibilitado. Além da falta de recursos, existem dificuldades técnicas no desenvolvimento de componentes para completar o foguete. Há também um grave problema de escassez de mão de obra, que pode inclusive atrapalhar outros projetos mobilizadores.

 

“Se não houver reposição do quadro, em 2020, o DCTA terá uma redução de 44% da sua equipa em relação a 2011, em virtude do processo de aposentação. Há pouco tempo, foi autorizado concurso e pudemos contratar mais de 200 profissionais. No entanto, isto está aquém do necessário”, alertou o vice-director.

 

Mudança - As dificuldades para dar continuidade ao programa do VLS fizeram as autoridades mudar de planos no que se refere aos esforços para um lançador nacional. Em vez de mirar no mercado de satélites em órbita geoestacionária, a ordem agora é atacar o mercado de microssatélites, que também fatura alto.

 

“Chegamos à conclusão que não vale a pena desenvolvermos no país um veículo para satélites geoestacionários. Existem vários concorrentes no mercado e o Brasil não lançará muitos equipamentos deste porte. Nosso foco está mais voltado para o VLM [Veículo Lançador de Microssatélites]. É um foguete mais simples, para transportar satélites menores. Acreditamos que ele entra num nicho de mercado onde não existem lançadores naquela categoria”, disse Golfetto.

 

No que se refere a dificuldade de desenvolvimento, há menos problemas porque o processo de construção do VLS ocorre em cooperação com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Porém, novamente a descontinuidade de recursos pode atrapalhar este projecto, que tinha previsão inicial de conclusão para este ano, e foi reprogramado para 2017. Estimado em R$126,9 milhões, até o momento o programa recebeu R$ 10 milhões.

 

Histórico – O sonho de se ter um foguete capaz de transportar satélites já é antigo. Desde os primórdios do Programa Espacial Brasileiro (PEB), a ideia era entrar no clube de países detentores da capacidade de realizar o transporte espacial. Os horizontes começaram a se clarear quando no fim da década de 1970 foi instituída a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), que tinha como meta lançar um satélite nacional, por meio de um lançador nacional a partir de uma base em território brasileiro.

 

Desde então, o país conseguiu implantar dois centros de lançamento, o de Alcântara (CLA), no Maranhão, e o da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte. Também foi capaz de desenvolver satélites de recolha de dados (SCDs) e de sensoriamento remoto, os Cbers, estes em cooperação com a China.

 

Na área de foguetes, no entanto, o Brasil não foi além das zonas suborbitais. Neste segmento, é verdade, há êxitos com o advento da família Sonda, e dos veículos de sondagem VSB-30, VS-30 e VS-40, capazes de lançar cargas-úteis compostas por experimentos científicos e tecnológicos. O VSB-30, por exemplo, abastece o programa europeu de microgravidade.

 

Fonte: Agência Gestão CT&I

 

Podem ler mais sobre o Brasil e o seu programa espacial aqui.

Congresso americano lança legislação comercial para o Espaço

Maio 28, 2015

Vera Gomes

Comité da Ciência, Espaço e Tecnologia

 

 

Tanto a Câmara como o Senado americano estão a considerar uma legislação para apoiar a indústria americana de lançamentos comerciais, incluindo o alargamento das principais disposições da lei vigente. Jeff Foust, da Space Review analisa esses esforços, incluindo o contraste entre os debates partidários na Câmara e no esforço bipartidário no Senado. Podem ler o artigo na íntegra aqui.

 

Um dia depois de um comité do Senado ter aprovado um projecto de lei que pretende alargar e reforçar as disposições fundamentais do direito espaciais comercial actual, o plenário da Câmara debateu um projecto de lei durante duas horas, eventualmente, passando-o  numa votação de mais de dois-para-um. Esse voto, porém, é improvável que termine o debate sobre algumas das suas disposições.

 

As propostas legislativas que têm estado na causa do acesso debate são o Space Act e o Asteroids Act.

 

O Space Act é composto por 4 documentos (Bills). Dois deles não são de todo controversos. Já outros dois, têm causado bastante discussão. Um deles era o texto original do Space Act, que era principalmente uma actualização do direito de lançamento comercial existente. Uma das suas disposições alarga as idemnizações de lançamento de partes terceiras a partir do final de 2016 até o final de 2023. Isso permitiria a indemnização do governo federal para cobrir eventuais danos de terceiros de um acidente de lançamento comercial, acima de um nível de "perda máxima provável" pela qual a empresa titular da licença de lançamento é responsável, até um nível de cerca de US$3 bilhiões. Essa indemnização, em vigor por mais de um quarto de século, nunca foi invocada em qualquer percalço num lançamento comercial.

A outra disposição do Space Act estenderia o "período de aprendizagem" restringindo a capacidade das
FAA  para promulgar regulamentos relativos à segurança das pessoas que voam na nave espacial comercial. Sob as alterações à Lei de Lançamentos Espaciais Comerciais (Commercial Space Launch Amendments Act of 2004) de 2004, a FAA só pode decretar tais regulamentos, em caso de um acidente grave ou ocorrência imprevista que colocou um alto risco ao lançamento. A intenção da restrição foi o de permitir que a indústria construa experiência que poderia servir como base para regulamentações posteriores.

 

O Asteroids Act por seu turno, tem mantido um acesso debate sobre a violação ou não dos Tratados Internacionais que constituem o quadro legal em matéria do espaço, em particular, a questão sobre a possibilidade dos privados poderem ou não apropiar-se de materiais retirados no espaço, por exemplo, a partir da exploração mineira de asteróides. No Astropolítica já escrevi várias vezes sobre este assunto, mas nunca é demais relembrar que o Tratado do Espaço Exterior e o Tratado da Lua são bastantes claro: o Espaço é propriedade de toda a Humanidade e nenhuma entidade, seja ela pública ou privada, pode tomar posse de corpos celestes em benefício próprio. Aconselho vivamente a re-leitura deste, deste e deste post. Caso queiram saber mais sobre direito espacial, podem consultar as perguntas e respostas que foram publicadas aqui

Revolução!

Maio 27, 2015

Vera Gomes

 

 

A SpaceX ganhou a certificação da Força Aérea  dos EUA para lançamentos militares. A Força Aérea americana anunciou na passada terça-feira que certificou o foguete Falcon 9 para lançamentos de satélites militares depois de um longo e, por vezes controverso, processo de avaliação.
 
A certificação permite que a SpaceX possa competir para os lançamentos, incluindo uma série satélites GPS 3 no final deste ano. A Força Aérea americana disse aindas nas comunicação que prestou que gastou mais de US$60 milhões no processo de certificação, que envolveu 150 pessoas e realizou mais de 2.800 tarefas distintas.
 
Para saberem mais sobre este assunto e a Space X podem clicar aqui.
A Space X tem-se ganho relevo na indústria espacial americana assim comoum lugar num mercado de lançadores. Num artigo publicado aqui podem ver o preços dos transportes privados para o Espaço e aqui sobre o arrendamento pela Space X à NASA de partes do Kennedy Space Center.
 
 

Vamos à Lua!

Maio 26, 2015

Vera Gomes

 

Foi a 25 de Maio de 1961 que John F. Kenndy criou uma mensagem e uma visão poderossíssima para o programa espacial americano. Em plena Guerra Fria, e depois da União Soviética ter demonstrado por diversas vezes estar na liderança da corrida espacial, John F. Kennedy anunciou que até ao final da década de 60, os Estados Unidos iriam colocar um Homem na Lua e fazê-lo regressar à Terra "não porque fosse fácil, mas porque é difícil e porque este objectivo irá servir para organizar e medir o melhor das nossas energias e qualidades".

 

Já no passado escrevi sobre este discurso e sobre o contexto do mesmo aqui. E podem ver também os posts que publiquei no Astropolitica no ano passado sobre a ida à Lua, onde podem inclusive ver o que os jornais portugueses e estrangeiros escreveram sobre a chegada do homem à Lua. Basta clicar aqui.

 

 

Estratégia espacial dos Emirados Árabes Unidos tornada pública

Maio 25, 2015

Vera Gomes

 

 

A Agência Espacial dos Arábes Unidos revelou hoje a sua estratégia espacial e várias iniciativas que irão realizar para se afirmarem no domínio espacial.

 

 

A estratégia resume-se a 4 objectivos chave:

1) desenvolver e guiar o sector espacial nacional que serve os interesses da economia e do país;

2) promover a investigação científica e a inovação como suporto ao progresso científico do país em ciências espaciais e tecnologico;

3) atrair e promover os recursos nacionais para que se tornem cientistas espaciais e pioneiros tecnológicos;

4) construir e promover a cooperação internacional e parcerias para servir o sector espacial nacional.

 

A par com a comunicação e explicação pública da estratégia espacial foram igualmente anunciadas algumas medidas:

- Lançamento do mini Museu Espacial, em cooperação com o fórum espaço e satélites globais com vista a reforçar conhecimento sobre o espaço sector;

- A agência espacial irá trabalhar para criar um espaço com um centro de pesquisa com 100 milhões de dirhams (cerca de 24 milhões de euros) de investimento;

- A agência espacial irá igualmente criar, em 2015, uma bolsa para cerca de 15 dos melhores alunos para missões no estrangeiro.

 

A Agência Espacial dos Emirados Arábres Unidos será a responsável pela supervisão de todas as actividades espaciais no país, através da gestão e coordenação das actividades relacionadas com o espaço.

 

A sua missão será organizar o sector espacial e contribuir para a economia nacional e desenvolvimento sustentável. A visão? Conduzir os Emirados Arábes Unidos no espaço e inspirar gerações futuras para servir a nação e a Humanidade.

 

Entretanto, a Agência Espacial dos Emirados Arábes Unidos, anunciou que está a receber candidaturas para quem se quiser juntar ao projecto, bastando para isso enviar o currículum vitae para o e-mail: careers@space.gov.ae

 

Podem saber mais sobre as actividades dos Emirados Arábes Unidos aqui.

Errar vs Sucesso vs Preço

Maio 25, 2015

Vera Gomes

 

Estava a falar com um amigo sobre custos de missões espaciais e lembrei-me deste post. A verdade é que os números totais das missões são altos, com riscos elevadíssimos, e por vezes o resultado final é zero porque a missão nao foi completada. Mas mesmo assim, vale a pena.

 

No caso da Rosetta, custou 0,20€ cêntimos/ ano aos contribuintes europeus. Sim, o custo foi elevado e o resultado final da missão não foi exactamente o esperado. A história da exploração espacial é feita de acidentes e desaires. Nem sempre corre bem. Por vezes, até morrem pessoas. Mas será estanque ao Espaço? Não creio. Em todas as áreas o progresso faz-se com desaires, aprender com os erros e tentar novamente. O espaço não é diferente.

Brasil e Países Baixos cooperam no espaço

Maio 22, 2015

Vera Gomes

 

Brasil.Holanda2

Foto: Valdivino Jr/AEB – O presidente das AEB, José Braga Coelho, o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho (E), na recepção dos visitantes.

 

Um dos temas abordados pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, e pelo director do Escritório Espacial dos Países Baixos (NOS), Ger Nieuwpoort,  na visita deste à AEB na passada quarta-feira (20), foi a assinatura do Programa de Cooperação para a formação de especialistas qualificados na área espacial brasileira em Universidades, Centros de Pesquisa e empresas dos Países Baixos (Holanda) e a vinda de especialistas desse país ao Brasil, tudo com recursos do Programa Ciência sem Fronteiras – Espacial.

 

Acordaram igualmente em organizar um encontro espacial público-privado entre os dois países, no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), com a participação da prefeitura e das indústrias locais, provavelmente em Setembro próximo. Na agenda do evento está a discussão sobre temas de interesse comum, visando a elaborar um Programa de Cooperação Espacial baseado em objectivos concretos e mutuamente benéficos.

 

O diretor da NOS estava acompanhado pelo diretor de Assuntos Internacionais, Thomas Bleeker, pelo Conselheiro de Ciência, Tecnologia e Inovação do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos, sediado em São Paulo, Nico Schiettekatte, e pelo Adido para Ciência, Tecnologia e Inovação da Embaixada do Reino dos Países Baixos em Brasília, Hans Doresteijn. Também participou do encontro o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, da AEB, José Monserrat Filho.

 

O NOS, criado em 2009 como sucessora da Agência de Programas Aeroespaciais dos Países Baixos (NIVR), é vinculado aos ministérios da Economia; de Educação, Cultura e Ciência; da Infraestrutura e do Meio Ambiente e da Organização para a Pesquisa Científica do país.

 

 

 

Fonte: Agência Espacial Brasileira

Drones portugueses para vigiar plantações africanas

Maio 21, 2015

Vera Gomes

 

 

Jornal de Negócios noticiou hoje que a Spin.works desenvolveu drones que quer vender a produções agrícolas e florestais. Empresa foi alvo de um investimento de 500 mil euros do The Edge Group.

 

Há plantações de soja em África e na América Latina que perdem cerca de 15% da produção porque não conseguem controlar as pragas em tempo útil. A Spin.works propõe-se a combater esse desperdício com drones, desenhados e fabricados em Portugal.

 

Podem ler o artigo completo, aqui.

 

 

 

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