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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

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"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Até mesmo as novas expedições à Lua estão no caminho de Marte

02.08.2008, Nicolau Ferreira

 

 

Não existe uma data para descermos ao planeta vermelho, mas a próxima década está cheia de missões internacionais que nos aproximam dele
 

 

 

Há estradas que vão dar a Marte e datas que não nos saem da cabeça. Jean-Jacques Dordain, o director-geral da Agência Espacial Europeia (ESA) disse ao El Mundo durante um debate que ocorreu em Madrid, no final de Junho, que não acredita "que um astronauta possa pisar Marte antes de 2035". A data torna-se num compromisso para com o nosso futuro parecido com a promessa feita por Kennedy aos Estados Unidos em 1961 quando anunciou que iam pisar a Lua antes de a década acabar.

Mas as realidades são diferentes, hoje o mundo conta com vários paí-ses e colaborações que tornam a conquista do espaço mais dinâmica. Até 2035, os projectos conhecidos sucedem-se e há tempo suficiente para determinar novos objectivos.

Depois dos Jogos Olímpicos, a China vai lançar mais astronautas para o espaço; no ano seguinte, a Rússia vai enviar uma sonda a Fobos, uma das duas luas de Marte. Em 2013, a ESA vai pôr um carro no planeta vermelho e, em 2020, os Estados Unidos querem voltar a pisar a Lua com a nave espacial Orion. Mas o mais interessante é que cada aventura espacial vai trazer novos dados e obrigar a desenvolver e a testar tecnologias que são peças-chave para tocarmos Marte.
 
A prova disso é que, em Janeiro de 2007, a NASA decidiu utilizar o sistema métrico para a próxima viagem à Lua. "Se pensa em libras e milhas, em vez de quilogramas e quilómetros, então faz parte da minoria", diz o documento da organização, que, no final, defende que se é a competição que motiva a viagem, é a cooperação que põe as nações na Lua. Marte não será diferente.
 
2020 - Estação intercalar
 
A maior lua de Marte é o próximo objectivo dos russos, que vão enviar uma nave para analisar o satélite e tirar conclusões sobre a sua origem, a sua evolução relativamente a Marte. O espantoso é que a missão só termina em 2012, quando a sonda voltar à Terra com as amostras intactas.

Mais arriscado é o que os europeus e os americanos pretendem fazer em 2018, quando se inicia a "Mars Sample Mission". A viagem a Marte é a mais complexa e cara que já se projectou. Pretende-se ir ao planeta, recolher amostras e voltar, para poder estudá-las melhor. É impossível arriscar uma missão tripulada ao planeta sem antes termos a certeza de que conseguimos vir de lá.

Apesar de todo o fascínio, tem que se ter em conta as dificuldades. "No caso de Marte, quase metade das missões não tem sucesso", disse o cientista Filipe Pires, do Centro de Astrofísica do Porto, numa entrevista à RTPn.

Em 2013, a ESA vai ainda enviar um veículo para o planeta vermelho numa missão chamada "ExoMars". O local previsto para a exploração ainda está por decidir. Existem cinco candidatos, todos eles com características que podem dar informação acerca da existência de vida em Marte.

Mas é a Lua que vai ser a recta de lançamento para Marte. Os Estados Unidos esperam estar em 2020 no satélite que não visitam desde 1972. "Porquê a Lua?", pergunta a NASA. Pelo desenvolvimento, conquista, exploração, conhecimento e por Marte. "Primeiro temos que aprender muitas coisas sobre como utilizar os materiais do próprio planeta para sobrevivermos", diz Jean-Jacques Dordain na mesma entrevista ao El Mundo, em que defende a importância da etapa.
Cooperação internacional

O presidente da ESA defende ainda que tudo depende da vontade política. Sem ela não se cumpre destinos. Depois de 2020, sabe-se menos. Pensa-se que a Orion, a nave que vai levar a tripulação americana à Lua, possa ser a mesma a ser utilizada numa futura viagem a Marte.

A própria viagem dos Estados Unidos está ensombrada pela ascensão da China, que, neste Outono, vai enviar astronautas para o espaço pela terceira vez. Apesar de o país não ter nenhum projecto oficial para ir à Lua, o administrador da NASA, Michael Griffin, disse à BBC News que "é possível à China pôr pessoas na Lua, e se quiser pode fazê-lo antes dos EUA".

O jogo está em aberto, Marte é o próximo destino mítico. Depois do planeta vermelho, virão missões mais ambiciosas, o espaço parece não ter limites. Mas para Dordain, o essencial é a cooperação: "Este projecto não pode ser norte-americano, nem russo, nem europeu, terá que ser global".
 

 

 

in Publico, 02/08/2008