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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

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"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Ainda a Troika da NASA

Um anúncio que chocou o mundo, "Nasa não tem dinheiro para mandar sondas para Marte" e que vem ao encontro do que já tinha escrito aqui e que responde a uma das questões que coloquei: "onde irá a Nasa cortar?". Parece que tive a resposta....

 

Em tempos de falta de dinheiro e opções difíceis, a agência espacial norte-americana optou por continuar a construção do telescópio espacial que substituirá o Hubble e por desenvolver o novo sistema de foguetões e cápsulas tripuladas, uma aposta para voltar a levar astronautas com a bandeira das estrelas e das listras para o espaço. “Não há dúvida de que tivémos de tomar decisões duras”, disse o administrador da NASA, Charles Bolden, na apresentação do orçamento.

Os valores do orçamento permanecem estáveis, em 17,7 mil milhões de dólares para o ano fiscal de 2013 (que começa em Outubro), e assim devem permanecer nos próximos anos. Mas os custos do Telescópio Espacial James Webb (que não será lançado antes de 2018), que se estimam em 6,5 mil milhões de dólares, serão cada vez maiores, apesar de já ter ultrapassado em muito o orçamento inicial, e a data esperada de conclusão. Já esteve para ser abandonado, mas o Congresso ordenou à NASA que o terminasse.

Por outro lado, o dinheiro que a NASA canaliza para a exploração tripulada do sistema solar e a tecnologia espacial deve aumentar de 6% para 22% — para desenvolver meios alternativos aos vaivéns, aposentados definitivamente no ano passado.

O resultado disto é que a percentagem do orçamento dedicada à exploração planetária, onde se incluem as missões robóticas para Marte, fica reduzida em 21% na proposta de orçamento da NASA. “Este é um orçamento estável, que nos permite suportar um portfólio diversificado”, garantiu o administrador da agência espacial.

Mas esta retirada do jogo é, pelo menos, má diplomacia. Deixa um parceiro pendurado — a ESA — que já fez investimentos nas duas missões ExoMars. A primeira é uma sonda que ficaria em órbita de Marte, a ExoMars Trace Gas Orbiter, a lançar em 2016, para tentar compreender o mistério do metano na atmosfera do planeta. Este gás pode ter origem biológica, mas tem de ser constantemente renovado para persistir na atmosfera. Qual a sua origem em Marte? A segunda missão, um robô que andaria pela superfície, deveria partir em 2018, para recolher amostras de materiais que fornecessem pistas sobre se houve vida em Marte no passado.

A ESA está a tentar interessar a Rússia em participar nas missões ExoMars e, após a saída dos EUA, o interesse na colaboração de Moscovo pode ser ainda maior. Por outro lado, tanto a ESA como a Alemanha têm expressado um interesse crescente na cooperação espacial com a China — que não poderia participar se os EUA estivessem a bordo.

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