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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

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"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astronautas americanos vão ter de fazer “dieta russa"

 

 

A Terra é já pequena para acolher a espiral de sanções e contra-sanções entre Rússia e EUA, chegando agora à Estação Espacial Internacional. Isto ocorre num momento em que volta o conflito na Ucrânia.

Os astronautas americanos e os cosmonautas russos que se encontram a trabalhar na Estação Espacial Internacional (EEI) arriscam-se a ter de se limitar aos alimentos russos, pois os produtos enviados pelos americanos estão retidos na alfândega de Moscovo.

Segundo uma fonte citada pela agência Interfax, “a carga de alimentos para enviar a 17 de Fevereiro para a EEI a bordo do foguetão de carga Progress M-26M está retida na alfândega. Foram feitos todos os pedidos necessários e uma excepção para esta carga, mas, até agora, os funcionários [da alfândega] não reagiram”.

Recordo que, em resposta a sanções económicas e financeiras dos Estados Unidos e União Europa contra a Rússia devido à anexação da Crimeia, Moscovo proibiu a importação de um amplo leque de produtos alimentares ocidentais.

As partes também não se entendem sobre os destinatários dos produtos americanos. A fonte russa citada pela Interfax afirma que eles seriam para ser consumidos pelos astronautas americanos, mas um porta-voz da NASA na Rússia declarou à TASS, outra agência de informação de Moscovo, que os produtos tinham sido encomendados pelos cosmonautas russos.

“Às vezes, os nossos colegas russos querem produtos americanos”, sublinhou o porta-voz da agência espacial norte-americana.

Cedam ou não as autoridades alfandegárias de Moscovo, o facto é que nem astronautas, nem cosmonautas irão passar fome, pois o fornecedor russo de produtos promete enviar alimentos para todos e os cosmonautas irão partilha-los com os astronautas.

Este episódio caricato ocorre num momento em que a guerra civil na Ucrânia reacende com nova força. Na quinta-feira, os separatistas pró-russos tentam desalojar as tropas ucranianas do aeroporto de Donetsk, tendo aí lugar acesos combates, e, na terça-feira, um míssil atingiu um autocarro de passageiros perto dessa cidade, tendo provocado 12 mortos e 18 feridos. Como vem sendo costume, Kiev acusa os separatistas e as tropas russas de terem disparado esse míssil, mas os primeiros respondem que o acto terrorista foi realizado pelas tropas ucranianas. Entretanto, a OSCE foi ao local, constatou a ocorrência, mas nada disse sobre a possível autoria do crime.

Entretanto, continua-se sem saber quando é que se irão juntar em Minsk as partes do conflito com os intermediários (Rússia, Alemanha e França). Esteve prevista uma cimeira ao mais alto nível com dirigentes da Rússia, França, Alemanha e Ucrânia em Astana, capital do Cazaquistão, para o dia 16 de Janeiro, mas não se irá realizar. Não tiveram também lugar os encontros de grupos de trabalho previstos para hoje na capital bielorrussa.

O Presidente da Ucrânia, Piotr Poroshenko, não obstante as críticas de muitos políticos ucranianos, prometeu às regiões separatistas do Leste do país mais autonomia, que lhes permitirá, nomeadamente, definir relações económicas com a Rússia e a UE, mas isso não foi suficiente para  travar o reacendimento da guerra civil na Ucrânia.

Sanções, contra-sanções, mas o principal continua por resolver: travar um grave conflito no coração da Europa que decorre há muitos meses e ameaça alargar-se.

 

Artigo de José Milhazes publicado no Observador