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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

É oficial: Brasil é membro do ESO

 

O Brasil entra para a história da Organização Europeia para a Investigação Astronómica no Hemisfério Sul (ou ESO), após a aprovação pelo Senado brasileiro do texto do acordo de adesão do Brasil à Convenção que estabelece a Organização Europeia para a Investigação Astronómica no Hemisfério Sul, assinado em Brasília em 2010. Ao ratificar o acordo, o Brasil torna-se o décimo quinto país membro, sendo o primeiro não europeu, do Observatório Europeu do Sul (ESO, sigla em inglês para European Southern Observatory). Podem ver a lista de todos os membros do ESO aqui.

 

As primeiras conversas informais com o Brasil começaram no início de 2009 e incluíram uma conferência sobre o ESO, em São Paulo, proferida pelo Presidente do Conselho do ESO, no âmbito do desenvolvimento de um plano estratégico para a astronomia brasileira. Diversos debates ocorreram durante a Assembleia Geral da União Astronómica Internacional, numa altura em que o Director do ESO, Tim de Zeeuw, convidou o Ministro da Ciência e Tecnologia brasileiro, Sergio Machado Rezende, a visitar o ALMA e o Observatório do Paranal do ESO, em Fevereiro de 2010.

 

A convite do ministro de ciência e tecnologia, um comité especial de astronomia elaborou um Plano Nacional para a Astronomia Brasileira, incluindo uma avaliação sobre as opções de participação num dos vários projetos de telescópios extremamente grandes. A opção do European Extremely Large Telescope (E-ELT) foi a mais atraente, reforçada pela possibilidade de participação no ESO e acesso imediato às suas instalações, com grande variedade de instrumentos e possibilidades de participação no desenvolvimento de instrumentação. Astrónomos brasileiros concordaram que deveria ser pedida a adesão ao ESO, em Maio de 2010, e nesse sentido fizeram uma recomendação ao ministro Rezende. Uma expressão de interesse formal à adesão foi enviada ao ESO, via embaixada do Brasil em Berlim, tendo chegado antes da reunião do Conselho do ESO de Junho de 2010. Como resultado, foram abertas negociações informais com o governo brasileiro em Junho, Julho e Agosto de 2010.


Numa reunião extraordinária do Conselho do ESO a 5 de Outubro de 2010, foi decidido por unanimidade enviar ao Brasil um convite formal de adesão ao ESO. A esta decisão seguiram-se negociações formais em Brasília nos dias 2 e 3 de Dezembro de 2010 e o pedido de adesão oficial por parte do Brasil foi recebido em 14 de Dezembro de 2010. Em 21 de Dezembro de 2010, numa outra reunião extraordinária do Conselho, foi aprovada por unanimidade a assinatura do acordo entre o ESO e o Brasil.

A 29 de Dezembro de 2010, numa cerimónia oficial em Brasília, o Ministro da Ciência e Tecnologia brasileiro, Sergio Machado Rezende, e o Director Geral do ESO, Tim de Zeeuw, assinaram o acordo formal de adesão que fará do Brasil um Estado Membro do Observatório Europeu do Sul.

 

 

Quais as vantagens para o Brasil?

A adesão ao ESO traz uma grande vantagens, únicas para o Brasil. Muitas destas vantagens foram já implementadas durante o período interino do acordo (de pré-ratificação).

Como membro do ESO, o Brasil terá todos os benefícios e poderá tirar partido de todas as oportunidades dadas aos membros de pleno direito, em pé de igualdade com os actuais Estados Membros. Entre estes benefícios e oportunidades incluem-se:

  • Os astrónomos brasileiros terão acesso total e imediato a todas as infraestruturas do ESO (La Silla, Paranal) e às infraestruturas das quais o ESO é parceiro (ALMA, APEX), o que significa ter acesso às infraestruturas líderes mundiais de astronomia no solo, tanto em astronomia óptica como não óptica.
  • Cientistas brasileiros e representantes do governo terão total representação em todos os órgãos governativos e consultivos do ESO, compostos por representantes nacionais. Entre as competências destes órgãos incluem-se debates relativos a estratégia e planeamento de actividades e infraestruturas futuras, ou seja, a oportunidade de participar no futuro planeamento da pesquisa em astrofísica.
  • As empresas brasileiras ficam aptas a assinar contratos com o ESO, cobrindo todas as áreas de negócios, desde o fornecimento de serviços a estudos técnicos à entrega de equipamento sofisticado —desse modo, impulsionando o sector industrial brasileiro em áreas específicas, permitindo o spin-off industrial e a inovação, especialmente nas áreas de alta tecnologia.
  • Desde 1990, o ESO possui um bem-sucedido programa que permite a alunos de doutoramento passarem longos períodos nas suas instalações, ganhando experiência prática numa das instituições científicas mais avançadas do mundo. Até agora, mais de 200 alunos de doutoramento participaram no programa, que complementa o igualmente o programa de bolsas de pós-doutoramento.
  • No âmbito da missão do ESO de promover colaborações em astronomia, o Departamento Ciêntifico do ESO mantém vários canais para promover e financiar intercâmbios científicos entre cientistas dos seus Estados Membros, incluindo visitas e organizações conjuntas de conferências científicas. O acesso a estes programas promoverá a colaboração científica em todos os níveis entre os cientistas brasileiros e os seus colegas sediados na Europa.
  • A maioria dos instrumentos astronómicos de vanguarda em operação ou em construção para os telescópios ESO, são construídos por consórcios internacionais compostos por institutos sediados em vários países membros do ESO, um modelo que será seguido na construção da futura instrumentação do E-ELT. A adesão do Brasil ao ESO permitirá aos institutos brasileiros aceder a um conhecimento de ponta em áreas como a optomecânica, controle de software, tecnologia de detectores, etc.

 

Quanto custará ao Brasil ser membro no ESO?

A quota de adesão do Brasil é de 130 milhões de Euros, pagos ao longo de dez anos. A contribuição anual é proporcional ao rendimento nacional líquido, no entanto os primeiros pagamentos anuais serão menores, subindo gradualmente nos anos seguintes, de modo a levar-se em linha de conta o PIB per capita do Brasil. A contribuição cumulativa do Brasil ao longo da próxima década ajudará à expansão planeada do programa do ESO, incluindo a construção do E-ELT.

 

 

 

(Artigo publicado no AstroPT)