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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

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"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Primeiro astronauta português parte para a Lua em novembro

 

No dia 23 de novembro, José António Pires, 37 anos, partirá a bordo do vaivém Shenzhou para se tornar o primeiro astronauta português a viajar no Espaço e a andar na Lua.

 

Na aldeia de Brasfermes, Coimbra, toda a gente o conhece por «Zé Tó» ou «Tonico dos Porcos», e é com um destes dois nomes que José António Pires quer marcar a posteridade, quando sair do vaivém Shenzhou e pousar o primeiro pé na Lua, em princípio, a 27 de novembro. «Não esqueço as minhas origens e quero levar o nome de Brasfermes para a estratosfera. Tenho um carinho muito grande pelos nomes que a gente desta terra me deu ao longo do tempo e por isso peço que me tratem por Tonico dos Porcos, ou no caso de serem pessoas mais íntimas, apenas Zé Tó», disse em conferência de imprensa organizada ontem em Pequim pela Agência Espacial do Povo da República da China.

 

José António Pires não escondeu a felicidade de ter sido escolhido para participar na missão espacial tripulada que a Agência Espacial Chinesa pretende lançar, a partir de Baikonur, Cazaquistão. O voo está agendado para o dia 23 de novembro. A chegada à Lua deverá ocorrer entre dia 26 e 27 de novembro. O regresso ainda não tem uma data prevista. Com José António Pires, irão dois astronautas chineses, que já garantiram vistos gold de residência lunar. Na conferência de imprensa, foi notória a cumplicidade entre os três astronautas. Ching Tao e Fo Lau, os dois membros chineses da equipa de pioneiros lunares, fazem questão de mostrar proximidade pelo jovem português de 37 anos tratando-o a toda a hora por «Zé Tó». «São as poucas palavras que sabem dizer em português. Outra coisa que costumam dizer é “cara-te” ou quando querem falar inglês, “chalâpe”. São pessoas magníficas», referiu o jovem astronauta, depois de pedir aos jornalistas para pararem de lhe chamar «Cristiano Ronaldo do Espaço» e «Mourinho da Estratosfera». «Por que é que não me chamam Fernando Pessoa Orbital? Ou Vasco da Gama Estelar?», respondeu com uma pergunta a que nenhum dos jornalistas presentes soube responder por não saberem em que clubes militam Vasco da Gama e Fernando Pessoa.

 

Em Brasfermes, José António Pires é «Zé Tó» ou «Tonico dos Porcos», mas alguns quilómetros ao lado, em Trouxemil, toda a gente o trata por «Dr. Pires». Muito antes de ser selecionado pela Agência Espacial Chinesa, o jovem já tinha começado a granjear fama pelo doutoramento em Física Quântica e também por servir bicas e imperiais na cervejaria A Roseirinha, no centro de Trouxemil. José Manuel Silva, o dono da Cervejaria não poupa nos elogios a «Zé Tó»: «É muito importante a juventude estudar e tirar doutoramentos e mestrados, mas os empresários têm de saber tirar partido de todo esse talento. Há tempos tive aqui um doutorado em Engenharia Civil, com especialização em Estruturas e Pontes, e simplesmente não se encaixava no perfil desejado. Sempre achei que um doutorado em Engenharia Civil ficaria melhor numa sapataria e por isso recomendei-o à Marianinha dos Sapatos, de Santa Luzia. Mas posso dar mais exemplos: toda a gente sabe que um mestrado em engenharia Biofísica fica bem melhor como empregado doméstico que um historiador em vias de finalizar a tese de doutoramento; em contrapartida, um tipo com MBA pode fazer a diferença como cantoneiro; numa retrosaria, talvez se justifique mais um especialista em nanotecnologia».

 

Nos últimos anos, a proximidade da Universidade de Coimbra tem sido determinante no que toca ao recrutamento de recursos humanos qualificados para o desenvolvimento da região. José António Pires foi um dos especialistas que migraram dos corredores da histórica Universidade para evoluir profissionalmente nos arredores. «Consegui mais trabalho a servir copos de três ao Ti’ Chico do Monte do que em todas as bolsas de investigação a que concorri nos últimos 20 anos», refere.

 

Sobre a forma como foi selecionado para ingressar na equipa de astronautas que vai para a Lua em novembro, é mais modesto: «Tive sorte, com tantos militantes partidários, acabou por calhar a mim», refere. Para poder garantir um lugar no vaivém Shenzhou, José António Pires teve de aceitar vender a sua casa a um cidadão honorável chinês, que também quer ser português de vez em quando, através dos já famosos vistos Gold.

 

(in Exame Informática)