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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Mars One, os vendedores de sonhos marcianos

Junho 11, 2014

Vera Gomes

Artigo de opinião de José Matos, publicado hoje no Público.

 

"Uma coisa podemos ter a certeza: nenhum dos finalistas do projecto MarsOne irá pôr os pés em Marte.

 

Ninguém sabe quem será a primeira pessoa a pisar a superfície de Marte ou em que ano tal viagem será possível, mas de uma coisa podemos ter a certeza: não será nenhum dos finalistas do projecto MarsOne. Este projecto inventado na cabeça de um engenheiro holandês, Bas Lansdorp, antigo empresário na área da energia eólica, pretende mandar quatro humanos para Marte em meados da próxima década com um bilhete só de ida. Não há dúvida de que o projecto é uma grande aventura planetária, mas Lansdorp anda a vender um sonho que não pode cumprir.

 

A intenção deste empreendedor holandês é enviar primeiramente uma missão robótica não tripulada, em 2018, como missão de demonstração. Para isso assinou com o gigante aeroespacial norte-americano, Lockheed Martin, um contrato para a concepção de uma sonda de aterragem não tripulada e com a companhia britânica SSTL, a Satellite Surrey Technology Ltd, especialista em satélites, um outro contrato para a concepção de um satélite marciano geoestacionário para retransmissão de comunicações da sonda para a Terra e vice-versa.

 

Estes dois contratos são apenas para a concepção, faltando depois dinheiro para a execução, não estando definido, para já, quanto vai custar a sonda de aterragem e o satélite em órbita. A MarsOne tem em curso uma campanha de crowdfunding para esta missão, mas até agora ninguém apresentou uma estimativa dos custos finais para uma missão destas! No sítio da MarsOne existe uma imagem da hipotética sonda muito semelhante à da sonda Phoenix da NASA, que custou 282 milhões de euros, incluindo o lançamento. Será que é isto que a MarsOne espera recolher em crowdfunding, quando até hoje nenhuma campanha destas passou a barreira dos 30 e poucos milhões de euros?

 

Depois desta primeira fase é intenção de Lansdorp enviar uma segunda missão exploratória, em 2020, com um rover e outro satélite e, finalmente, em 2025, quatro astronautas para Marte. Antes da chegada dos pobres humanos, serão enviados, em 2022, alguns módulos para a superfície, que servirão de habitáculo para os futuros colonos. Depois da chegada da primeira tripulação, a cada dois anos, serão enviados mais quatro astronautas, até a população residente atingir 20 pessoas.

 

Existe uma enorme variedade de problemas associados a uma viagem destas e à permanência num ambiente hostil como é Marte, que estão longe de estar resolvidos. Nunca uma experiência em condições similares foi realizada na Terra que desse bons resultados, basta lembrar a famosa experiência Biosfera 2, que foi um fiasco. Também ninguém sabe que quantidade de gelo de água existe no subsolo marciano que possa ser utilizado por estas tripulações. Outro problema serão as necessidades energéticas desta pequena colónia, que não serão viáveis de satisfazer só com o recurso à energia solar.

 

Quanto aos custos de uma tal missão, são astronómicos e ultrapassam obviamente os 4400 milhões de euros, que a MarsOne pretende gastar. Há muitos anos que a NASA tem planos para missões tripuladas a Marte, especulando-se valores na casa dos 140-200 mil milhões de euros. Como é que agora aparece alguém a querer ir a Marte por uma trigésima ou quadragésima parte destes valores? Além dos custos subestimados, os desafios técnicos são imensos, como, por exemplo, fazer aterrar em Marte com precisão uma série de módulos habitáveis com massas superiores a qualquer uma das sondas actuais.

 

Para já, Bas Lansdorp pode sorrir. Teve 200 mil candidatos, na primeira fase, alguns portugueses que nem disseram nada à família para não deixar ninguém preocupado. Teve também muita publicidade mediática sem desembolsar um euro, o patrocínio de algumas empresas importantes que dão uma aura de credibilidade ao projecto e alguns milhões de euros para manter o seu escritório na Holanda a funcionar, além de um contrato com a Darlow Smithson Productions (DSP), pertencente à Endemol, para filmar em formato de reality-show a selecção e formação dos primeiros concorrentes a futuros astronautas. Entre os 705 candidatos escolhidos para a segunda fase, estão três portugueses que sonham com uma ida ao planeta vermelho. É pena que nunca cheguem a pôr os pés nas areias de Marte. Quando descobrirem que o rei vai nu, já Lansdorp anunciou ao mundo que a ideia era boa, mas que não arranjou dinheiro para ir ali ao lado."

NASA deve manter a longo prazo foco em Marte

Junho 11, 2014

Vera Gomes

 

 

 

 

 

Defendendo uma continuação do programa de exploração espacial humana dos EUA, um novo relatório pelo Congresso do Conselho Nacional de Pesquisa conclui que a despesa de voos espaciais tripulados e os perigos para os astronautas envolvidos, pode ser justificada apenas pelo objectivo de colocar seres humanos noutros planetas. O relatório recomenda que o país procure um "caminho" de abordagem disciplinada que engloba a execução de uma seqüência específica de realizações intermédias e destinos que levam ao grande objectivo de colocar seres humanos em Marte. O sucesso desta abordagem exigiria um firme compromisso como consenso na meta, colaboração internacional, e um orçamento que aumente em mais do que a taxa de inflação.

 

Podem ler o relatório aqui e mais sobre o mesmo aqui. Jeff Foust escreve na Space Review um artigo onde analisa este relatório e as implicaçoes necessárias para que os objectivos almejados no mesmo se tornem realidade.

Empresa portuguesa cria software de anti-fraude

Junho 10, 2014

Vera Gomes

 

 

 

 

 

Com muita experiência na criação de software para simulação de voos espaciais, uma equipa portuguesa de cientistas criou uma forma de detetar a fraude bancária aqui na Terra. 

  

Hoje em dia, cada compra eletrónica feita em Portugal passa pelo software que desenvolveram. Em todo o mundo, os produtos Feedzai verificam pagamentos no valor de cerca de 200 mil milhões de euros, a cada ano. 

 

Mas afinal, qual é a relação entre missões espaciais e o software desenhado para detetar fraude? Mais do que pode imaginar – além do hardware sofisticado, as missões espaciais exigem também avançado software. 

 

«Quando se lança uma nave espacial, é preciso software para o guiar», explicou Paulo Marques, da Feedzai, que foi consultor da ESA antes de fundar a empresa em 2009. «Também necessita de software para as comunicações com o solo.» 

 

Muito antes de a nave ser lançada, o software precisa de ser testado com rigor, para que não aconteçam falhas. Há apenas um problema, explicou Paulo: «ainda não existe, nesta fase, uma nave real.» 

 

Então, os cientistas desenharam um software para simular a missão. «O que é preciso é ter alguma coisa a representar a nave, o centro de controlo e as estações em terra, bem como muitos outros componentes, de forma a poder-se verificar tudo.»

 

Na ESA, Paulo e o colega da Feedzai, Nuno Sebastião, usaram técnicas computacionais de grande qualidade para criar satélites virtuais: “Clusters de computadores simulam todas as componentes envolvidas. Um computador funciona como uma nave espacial.” 

 

O software tem de ser muito robusto de forma a poder simular cada elemento da missão e da nave na perfeição. E também tem de ser capaz de fazer isso de forma rápida – em muito menos tempo do que demoraria a missão real.  «O software tem de ser capaz de processar toda a informação de uma forma muito eficaz.»  Os operadores da nave também treinam a utilização deste software. «Não vamos por uma nave espacial nas mãos de alguém que não tenha treinado.»

 

Experiência espacial para travar a fraude

 

Os softwares de deteção de fraudes e das missões espaciais enfrentam desafios semelhantes. Primeiro, nos dois casos é preciso processar uma grande quantidade de informação, em tempo real. «Num banco, por exemplo, é preciso processar milhares de transações por segundo.»  

 

Na deteção da fraude bancária, assim como no espaço, o software deve reconhecer qualquer coisa que seja fora do normal. No espaço, uma mudança inesperada na temperatura poderá indicar uma falha na parede. Na banca, as anomalias normalmente apontam para uma fraude: se uma bomba de gasolina começa a gerar, subitamente, valores de vendas semelhantes ao de um stand de carros de luxo, é sinal de sarilhos. 

 

No entanto, há diferenças. Enquanto no espaço há regras gerais que indicam uma anomalia, na fraude as decisões são baseadas numa análise de caso. Uma súbita mudança de temperatura no espaço é sempre um problema, mas cada cliente bancário tem os seus próprios hábitos.

 

 

(retirado daqui)

 

Sugestão de leitura

Junho 06, 2014

Vera Gomes

 

 

 

 

Esta semana, uma recente descoberta na Amazon e com um preço bastante simpático.  A outra boa noticia é que existe na versão kindle, o que significa entrega imediata.

 

Este livro sobre a história da politica espacial, abrange o período da Guerra Fria quando os EUA e a União Soviética desenvolviam esforços para espiar um ao outro a partir do espaço e para liderar no inventário de mísseis balísticos. este livro aborda as Presidências americanas de Eisenhower e de Kennedy e o que orientou a politica e estratégica espacial americana.

Esta obra abarca ainda os problemas resultantes de um aumento de intervinentes na cena espacial, o aumento do número de satélites em órbita e ainda questões de regulação internacional como a ineficácia da ONU para garantir a execução exacta e correcta do direito espacial e dos tratados existentes.

 

Apesar de mostrar sobretudo a perspectiva americana, nao deixa de ser um livro interessante para conhecer melhor a história da politica espacial.

 

Pode ser comprado na Amazon, aqui.

Japão de olhos postos na exploração por Humanos de Marte

Junho 05, 2014

Vera Gomes

 

 

 

Crédito: NASA

 

Marte continua a gerar interesse um pouco por todos os estados com interesses e capacidades espaciais. Agora foi o Ministério da Ciência do Japão a anunciar a intenção de organizar uma conferência internacional a nível ministerial, prevista para 2016, para discutir missões humanas multinacionais para explorar Marte. Tóquio espera conseguir a participação de vários países e liderar discussão para obtenção um acordo.
Podem ler mais sobre este anúncio japonês aqui.

Guerra dos Mundos: da Lua para Marte?

Junho 04, 2014

Vera Gomes

 

To shoot straight for Mars ignores the potential of the Moon, but once we return to the Moon we can still go on to Mars. Photo Credit: Andrew Chaikin

 

 

 

 

Andrew Chaikin assina um editorial onde sugere o desenvolvimento da eploraçã lunar por humanos como melhor opção em relação a Marte. Ele afirma ainda que as facções opostas que sustentam a Lua contra Marte, deverão unir forças para reforçar o apoio político e financiamento e para conseguir o apoio governamental necessário.

 

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

GPS na luta entre Rússia e os EUA

Junho 03, 2014

Vera Gomes

 

 

 

 

 

 

O Vice-primeiro-ministro russo, Dmitry Rogozin anunciou restrições sobre as estações terrestres americanas do GPS. Estas ameaças vêm em resposta à recusa dos EUA em permitir que as estações GLONASS sejam colocadas no território dos EUA. A declaração é mais um sinal da deterioração das relações entre Washington e Moscovo sobre as actividades russas na Ucrânia e na concessão de asilo a Edward Snowden.

 

Podem ler mais sobre este assunto aqui.

Crise de planeamento da NASA ou como a Rússia influencia a politica espacial americana

Junho 03, 2014

Vera Gomes

 

 

 

 

 

Claramente, este não é um bom momento para a NASA. O agravamento das tensões geopolíticas com a Rússia influenciaram mais os voos espaciais que outras formas de actividade inter-estatais. 

 

A crise da Rússia tem o potencial para se tornar mais grave para a NASA que alguns analistas estão dispostos a admitir. Está na hora de pensar mais do que apenas decidir o que fazer se a Rússia se retirar da Estação Espacial Internacional depois de 2020 ou interromperá o fluxo de motores de foguete RD-180 para os EUA. Mais consequências a curto prazo poderao ocorrer se a situação se deteriorar ainda mais.

 

assina um artigo interessante que analisa estas consequências e que pode ser lido aqui.

A nova relação Russo-Chinesa

Junho 02, 2014

Vera Gomes

 

Estão a Rússia e a China a caminho de uma aliança formal, interroga o “Diplomat”, para responder que se tal não provável, num futuro próximo, é necessário que os Estados Unidos não façam os “erros necessários” para que tal aconteça… Dingding Chen, professor assistente de Governo e Administração Pública da Universidade de Macau, passa em revista as várias análises geopolíticas e posições sobre o tema e conclui, com prudência, que “a China-Russia alliance is unrealistic and a strategic partnership is more flexible and better for China”. Com a ressalva, porém, de que se os EUA cometerem “another strategic mistake that would only facilitate a formal China-Russia alliance".

 

Retidado daqui.

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