Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

NATO discute na Madeira sistema de defesa anti-míssil

Maio 23, 2007

Vera Gomes

O projecto norte-americano de instalação de duas bases do sistema anti-míssil (NMD) na Polónia e República Checa vai dominar a Assembleia Parlamentar de Primavera da Aliança Atlântica

O português José Lello, presidente da Assembleia Parlamentar da NATO, declarou hoje à Agência Lusa que «o NMD é porventura o dossier mais sensível e na ordem mediática do dia».

Para explicar a resistência de Moscovo à instalação de uma dezena de rampas de lançamento de mísseis na Polónia e de um sofisticado radar na República Checa, vistos como uma ameaça nas fronteiras ocidentais, Lello não escondeu que «a Rússia não terá sido adequadamente informada e consultada» pelos Estados Unidos.

«Mas o problema está ultrapassado depois das diligências da secretária de Estado Condoleezza Rice», adiantou, acentuando a ameaça iraniana a ocidente e norte-coreana a oriente das fronteiras russas, razões para levar a uma extensão do NMD ao Japão e à Austrália.

No Funchal, Lello não pôs de parte um «confronto dialéctico» da Rússia com a NATO, «numa defesa veemente da sua posição» na Europa de Leste.

Em relação à Estónia - membro aliado desde Março de 2004 -, recentemente alvo de um ataque cibernético de piratas informáticos presumivelmente dos serviços secretos russos do FSB (ex-KGB), Lello anuiu em que a matéria também poderá ser tratada durante a Assembleia Parlamentar.

«Há um novo quadro conceptual na NATO e - no Funchal - vou propor aos parlamentares um debate sobre a nova estratégia para a organização nos seus 60 anos, em 2009», indicou.

Um comunicado da Assembleia da República à Agência Lusa precisa que o futuro estatuto da província sérvia do Kosovo, sob administração das Nações Unidas (MINUK), pendente de um pronunciamento do Conselho de Segurança, está igualmente agendado.

No Kosovo, a maioria albanesa quer a independência, contemplada no plano do enviado da ONU Martti Ahtisaari, embora sob vigilância internacional, e sufragada pelos Estados Unidos e União Europeia (UE), mas Belgrado não está disposta a ir além de uma ampla autonomia, tendo do seu lado a Rússia, que pode usar do direito a veto no Conselho de Segurança.

O estatuto do território é debatido na Assembleia Parlamentar de Primavera da NATO pela sua Comissão Política e por delegações dos Balcãs, compreendendo a Assembleia do Kosovo e o hemiciclo da Sérvia, precisa o comunicado.

Relativamente a este dossier, Lello afirmou ser «um problema político mais da agenda da UE, que tem de ser tratado com pinças dado o perigo de um veto russo» no Conselho de Segurança da ONU.

Lello frisou que «seria muito positivo se Belgrado aceitasse - como contrapartida à perda de 15 por cento do seu território, o Kosovo - a aceleração do processo de adesão à UE» proposto pelo alto representante para a Política Externa e de Segurança Comum, Javier Solana.

As operações aliadas no Afeganistão também estão em destaque, contando pela primeira vez com a participação de delegações parlamentares deste país e do vizinho Paquistão.

Lello insistiu na presença da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) no Afeganistão - 17.000 homens de 35 países - porque, «de momento, não é previsível qualquer alteração da situação» no terreno, disse.

Uma sessão específica será dedicada pela Comissão da Dimensão Civil da Segurança à luta contra a droga, neste caso o ópio, de que o Afeganistão é o maior produtor mundial para abastecimento do mercado mundial de heroína.

A cooperação operacional NATO-UE, as relações com países terceiros incluindo a Ucrânia e a Rússia, a governação democrática na importante passagem estratégica do Mar Negro, a transformação da organização aliada, as questões incidentes no seu orçamento e repartição de encargos, sem esquecer as alterações climáticas globais, preenchem o resto do programa.

Lello, face ao próximo alargamento da NATO em 2008, valorizou a entrada de países balcânicos como a Croácia, Albânia e Macedónia, deixando de fora, por «falta de condições», a Bósnia, Montenegro e Sérvia.

No Cáucaso, o presidente da Assembleia Parlamentar da NATO apontou os conflitos do enclave do Nagorno Karabakh entre a Arménia e o Azerbaijão, da Abkhazia e da Ossétia do Sul na Geórgia, como óbices para uma eventual adesão destes países, embora esteja prevista uma parceria de Tbilissi com os aliados em 2008.

A Ucrânia, onde há grande turbulência política, Lello não deixou passar em claro a disputa russo-ucraniana pela península da Crimeia, um «conflito latente» nunca resolvido pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Ao Funchal está prevista a chegada de cerca de 300 parlamentares da NATO, sendo a sessão plenária de sexta-feira aberta por Lello.

A seguir falam o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, o presidente do governo regional, Alberto João Jardim, e o vice-presidente da Assembleia da República, Guilherme Silva (PSD).

Intervêm ainda o secretário-geral da NATO, o holandês Jaaap de Hoop Scheffer, o primeiro-ministro macedónio Nikola Gruevskil, e o presidente do parlamento georgiano Nino Burganadze.

As cinco comissões da organização - de Política, Defesa e Segurança, Ciência e Tecnologia, Dimensão Civil da Segurança, e Economia e Segurança - têm reuniões marcadas para sábado.

Lusa / SOL
(edição online de 23/05/2007)

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Onde compro livros

Free Delivery on all Books at the Book Depository

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2009
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2007
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2006
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2005
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Follow