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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

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"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Controlo e Vigilância do Espaço: trocas e baldrocas!

Agosto 29, 2013

Vera Gomes

 

 

 

Umas semanas atrás falamos sobre o anúncio do Comando da Força Aerea americano sobre o fecho do centro que faz o rastreio e o controlo dos objectos em volta da terra aqui.

 

Esta semana, Brian Weeden, conselheiro técnico da Secure World Foundation e antigo oficial da Força Aerea dos EUA com experiência em vigilância espacial e operaçoes com misseis ICBM, escreve um artigo interessante na Space Review, onde explica um pouco o bluff que o Comando da Força Aerea tem estado a fazer sobre este tópico.

 

O anúncio do fecho do centro de vigilância de mais de 23 mil objectos lançados pelo Homem para o Espaço, causaram consternação e preocupação com a segurança e sustentabilidade espacial e muita confusão na imprensa.

 

O artigo do Brian Weeden, pode ser lido aqui. Para ler mais sobre o controlo e vigilância do Espaço clique aqui

.

A história secreta dos U-2

Agosto 22, 2013

Vera Gomes

Nos últimos dias tem-se escrito muito sobre os documentos declassificados pela CIA que revelam a existência da Área 51 mas não de extraterrestres. Um dos pontos qee não tem sido abordado, e vale a leitura aqui,  está relacionado com o uso dos U-2, aviões que os EUA usaram na Guerra Fria para recolha de imagens sobre território inimigo.

 

A queda do U-2 de gary Powers em Maio 1961 acelerou o desenvolvimento de programas de satélite que fizessem a recolha de imagens sem o risco de ser abatidos ou descobertos pelos inimigo. Deixo aqui um excerto da minha tese de Mestrado em que abordo a importância do U-2 e a transição para o uso de sistemas de recolha de imagens por satélite.

 

 

 

"A estratégia da Guerra Fria de Eisenhower passava por covert actions. Durante a II Guerra Mundial, Eisenhower ganhou uma paixão por imagery intelligence que se refletiu na sua presidência.[1] Desde o início do seu mandato que Eisenhower tentou desenvolver a intelligence americana e a recolha de imagens. Apesar de reconhecer que o foto-reconhecimento por satélite seria muito mais benéfico, assumiu-se que os problemas tecnológicos, incluindo o desenvolvimento de veículos de lançamento viáveis, iriam adiar o funcionamento do sistema até meados de 1960, na melhor das hipóteses. Por esse motivo, a administração Eisenhower apostou em projetos de aviação avançados, começando pelos U-2 e depois avançando para um avião espião supersónico, quando se aperceberam que os U-2 poderiam ser detetados pelos radares soviéticos.[2]

 

Apesar de Eisenhower considerar as missões dos U-2 de extrema importância, estava ansioso por uma solução alternativa de recolha de dados de modo a limitar a provocação ao Kremlin. Por esse motivo, mostrava-se bastante relutante em autorizar tantas missões quanto Richard Bissel[3] queria. [4] A principal missão dos U-2 era procurar e monitorizar a produção de ICBM e o desenvolvimento de instalações de energia atómica em território soviético.[5]

 

Devido à sua aposta em satélites de reconhecimento, a CIA tornou-se interessada no Vanguard. Em finais de 1956, Bissel apercebeu-se que o esforço americano para chegar ao espaço estava aquém das capacidades soviéticas. Eisenhower considerou que um satélite lançado no decorrer do Ano Geofísico Internacional iria fortalecer a liberdade dos céus numa altura em que os Estados Unidos secretamente estavam a desenvolver aviões e satélites espiões para fazer reconhecimento da URSS.[6]

 

Em 1960, as missões do U-2 sobre solo soviético terminaram abruptamente quando um dos aviões foi abatido a 1 de Maio.[7] O plano de voo deste U-2 pilotado por Gary Powers dar-lhe-ia a possibilidade de fotografar a nova base de mísseis soviética em Plesetsk, no nordeste do território soviético. Iria também sobrevoar a base nuclear de Tyuratam e o complexo de construção de bombas em Chelyabinsk. O tempo de voo daria imenso tempo para que os soviéticos detetassem o U-2[8], o que aconteceu quando ainda sobrevoava território afegão. Os soviéticos dispararam três mísseis SA-2 quando o U-2 de Powers sobrevoava a zona perto de Sverdlovsk.[9]

 

Eisenhower aprovou, a 3 de Maio, uma história de fachada para encobrir a real missão do U-2 abatido: “A NASA U-2 research plane, being flown in Turkey on a joint NASA – USAF Air Weather Service mission, apparently went down in the Lake Van, Turkey, area at about 9:00 AM, Sunday, May 1”[10].

 

Numa conferência de imprensa a 11 de Maio, Eisenhower abriu um precedente ao explicar publicamente a necessidade de atividades de intelligence em tempo de paz:

 

No one wants another Pearl Harbor. This means that we must have knowledge of military forces and preparations around the world, especially those capable of massive surprise attacks.

Secrecy in the Soviet Union makes this essential. In most of the world no large-scale attack could be prepared in secret, but in the Soviet Union there is a fetish of secrecy and concealment. This is a major cause of international tension and uneasiness today…

…Ever since the beginning of my administration I have issued directives to gather, in every feasible way, the information required to protect the United States and the free world against surprise attack and to enable them to make effective preparations for defense.”[11]

 

Khrushchev emitiu um comunicado e sublinhou que “this latest flight, towards Sverdlovsk, was an especially deep penetration into our territory and therefore an especially arrogant violation of our sovereignty. We are sick and tired of these unpleasant surprises, sick and tired of being subject to these indignities. They were making these flights to show up our impotence. Well, we weren’t impotent any longer”.[12] Georgi Zhukov, decano dos teoristas espaciais russos, avisou em Outubro de 1960 que desde que a URSS provasse que podia abater aviões espiões americanos, os Estados Unidos iriam apressar o desenvolvimento de novos métodos de colocar satélites em órbita. O tipo de informação fornecida por satélites espiões “can be of importance … solely for a state which contemplates aggression and intends to strike the first blow.”[13]

 

Em 1959, Eisenhower sublinhou que “the satellite, since it does not violate the air space,… represents the greatest future in the reconnaissance area[14]. A crise do U-2 expôs o comportamento impulsivo e errático que começava a ser característico em Khrushchev. A cimeira marcada em Paris para o mês seguinte manteve-se e apesar do líder soviético dar indicações que pretendia que a mesma se realizasse, reviu a sua posição: “I became more and more convinced that our pride and dignity would be damaged if we went ahead with the meeting as though nothing had happened[15].


Quando a conferência se iniciou, Khrushchev exigiu um pedido de desculpas formal pelo Presidente americano e a garantia de que os voos do U-2 tinham terminado. Contudo, Eisenhower não pediu desculpas, afirmou que os U-2 eram necessários e que iria pedir às Nações Unidas que fossem efetuados voos sobre território americano e soviético.[16]

 

A União Soviética ameaçou com ataques de mísseis a países como a Grã-Bretanha e Japão que acolheram e acolhiam os U-2, caso se verificassem quaisquer novos voos de reconhecimento a território soviético ou a países socialistas[17], [18].

 

A 18 de Agosto desse ano, os Estados Unidos lançaram com sucesso o satélite Discoverer XIV da base da Força Aérea de Vandenberg, começando uma nova era em imagery intelligence. Este satélite mostrou o primeiro de quatro ICBMs soviéticos operacionais.[19]"



[1] ANDREW, Christopher (1996), ibid., pp. 200-201

[2] TAUBMAN, Phillip (2003), ibid., pp. 227

[3] Richard Bissel foi o Chefe das Covert Operations da CIA na segunda metade da década de 1950.

[4] ANDREW, Christopher (1996), ibid., pp 243

[5] Idem, ibid., pp. 242

[6] DICKSON, Paul (2001), ibid., pp. 100-101

[7]ANDREW, Christopher (1996), ibid., pp. 243

[8] Este seria o 24º voo em território soviético e o segundo para Powers. Tratava-se da missão 4154, nome de código Operação Grand Slam. Powers já havia sobrevoado território chinês e pilotado o U-2 ao longo da fronteira soviética 6 vezes. A máquina que Powers pilotou fora reconstruída pela Lockheed após uma queda em 1959. Estava equipada com os mais recentes motores da Pratt & Whitney.

[9] TAUBMAN, Phillip (2003), ibid., pp. 305-307

[10] ANDREW, Christopher (1996), ibid., pp. 244

[11] Idem, ibid., pp. 248

[12] Idem, ibid., pp. 306.

[13] MCDOUGALL, Walter A., (1997), “The Heavens and the Earth – A Political History of the Space Age”, John Hopkins University Press, London, pp. 259

[14] GADDIS, John Lewis (1997), ibid., pp. 246

[15] Idem, ibid., pp. 246-247

[16] ALDRICH, Richard J, (2002), “The hidden hand – Britain, America and Cold War Secret Intelligence”, John Murray, London, pp. 536

[17] Estas ameaças foram efectuadas por Malinovsky a 30 de Maio e reiteradas por Khrushchev a 3 de Junho numa conferência de imprensa em Moscovo.

[18] Idem, ibid., pp. 537

[19] ANDREW, Christopher, ibid., pp. 249-250

Espaço perde vedação

Agosto 16, 2013

Vera Gomes

 

 

 

O US Air Force Command avisa que se prepara para fechar o Air Force Space Surveillance System, uma rede de insfraestruturas terrestres com radares e receptores, também conhecido como "space fence" (traduzido litralmente: vedação do espaço), que rastreia objectos na órbita terrestre. O fecho que poderá ocorrer nas próximas semanas é uma resposta às reduções orçamentais. Não haverá sistema equivalente que substitua este até 2017 - após a selecção para celebração de um contrato. Uma prorrogação é possível, mas neste momento está tudo em aberto.

 

Podem ler mais sobre este assunto aqui.

 

Thales Alenia Space faz contrato com o Brasil

Agosto 15, 2013

Vera Gomes

 

 

O grupo Thales Alenia Space anunciou na passada terça-feira que ganhou um contrato de cerca de 300 milhões de euros para construir um satélite para o programa espacial brasileiro.

 

A encomenda consiste num satélite geoestacionário tanto para uso civil como militar. Fontes oficiais do brasil afirmaram que "Internet a alta velocidade será disponibilizada a toda a nação e ainda assegurar a soberania nas comunicações civis e militares".

 

O satélite será colocado em órbita pela Arianespace.

 

Para saber mais sobre este contrato, clique aqui.

 

Emirados Arábes Unidos compra satélite espião!

Julho 25, 2013

Vera Gomes

 

As Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos assinaram no passado dia 22 de Julho um contrato com a Astrium Satellites e com a Thales Alenia Space of France para fornecimento de dois satélites Falcon-Eye com um sistema de reconhecimento de alta resolução óptica. 

 

O contrato, que esteve em negociações durante mais de uma década, vale cerca de 800 milhões de euros.

 

Toda a noticia aqui

Primeiro teste público do Galileo

Julho 24, 2013

Vera Gomes

 

 

É hoje, às 17h30, em Fucino, Itália que a aquisição de sinal do Galileo será publicamente testado.

 

Poderá ser seguido em Live Stream aqui e poderão obter mais informação sobre o evento e ver videos sobre o galileo e o Centro Espacial de Fucino aqui.

 

Podrão igualmente ler o press release com mais informação sobre este marco no projecto Galileo aqui

Sem intervenção da China?

Fevereiro 09, 2013

Vera Gomes

A Etiópia pretende lançar o seu primeiro satélite espacial dentro de dois anos, anunciou hoje o governo de Adis Abeba, noticia o jornal etíope "The Reporter", citado pela agência espanhola Efe.

 

De acordo com o vice primeiro-ministro, Debretsion Gebremicha, o satélite vai servir para fins de comunicação e o governo já está a preparar o seu desenho, construção e lançamento.

 

"Não é uma coisa que vá acontecer da noite para o dia, já que requer um financiamento adequado e recursos humanos", afirmou o governante, esclarecendo que o lançamento deverá ocorrer em território etíope daqui a dois anos.

 

Segundo informações reveladas na página online da Sociedade Etíope do Espaço e da Ciência, o satélite vai chamar-se ET-SAT, terá pequenas dimensões e vai ser o primeiro aparelho que uma instituição da Etiópia vai construir e pôr em órbita.

 

O projeto de construção vai ter apoios do Instituto de Von Karman, de Bruxelas, por ter sido o único projeto africano selecionado entre as 71 propostas recebidas de 38 países.

 

O Instituto de Tecnologia de Adis Abeba, por seu turno, vai ser responsável pelo desenho e pela construção do satélite.

 

in DN

Reutilização de Satélites

Janeiro 27, 2013

Vera Gomes

Os EUA estão a planear efetuar, pela primeira vez na história, a reciclagem de satélites espaciais. O objetivo é aproveitar as partes dos equipamentos que ainda funcionam e reutilizá-las de forma a construir novos dispositivos a um preço mais baixo. O projeto que se chama Phoenix está a ser estudado pela Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA).

 

O obejctivo é re-utilizar compomentes que ainda funcionam de satélites que ainda estão em órbita. Podem ver neste video alguns aspectos técnicos do projecto.

 

A agência está, neste momento, em contacto com várias companhias com vista ao desenvolvimento de novas tecnologias e o primeiro teste deverá ser feito em 2016, com o lançamento de uma missão de demonstração que vai tentar dar à antena de um velho satélite (ainda por determinar) uma nova vida.

"Estamos a tentar, essencialmente, aumentar o retorno dos investimentos e encontrar uma forma de mudar os factores económicos para baixar o custo" das missões espaciais militares, afirma David Barnhart, gestor do programa da DARPA. E eu concordo: a ser bem sucedido este programa poderá muar a forma de explorar o espaço. Numa altura em que a Europa luta pelo Código de Conduta e o mundo se vê a braços com o problema do lixo espacial, este projecto poderá ajudar a minorizar os problemas já existentes.


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