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Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Astropolítica

"Se se pudessem interrogar as estrelas perguntar-lhes-ia se as maçam mais os astrónomos ou os poetas." Pitigrilli

Como o Espaço pode ajudar a inclusão e promover igualdade?

Maio 17, 2020

Vera Gomes

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Sei que não tenho por hábito escrever por aqui em inglês. Contudo, o evento em questão, em que irei falar, será em inglês. E não poderia deixar de partilhá-lo no blog.

As inscrições são gratuitas e obrigatórias através do Eventbrite. E uma pista: não, não vou falar sobre ser necessário mais mulheres no sector espacial! ;)

 

This Space Café WebTalk will feature Vera Pinto, Policy Coordinator and Equality Coordinator at the European Commission Directorate General for Defence Industry and Space (DG DEFIS), in conversation with Torsten Kriening, co-publisher of SpaceWatch.Global and COO of ThorGroup GmbH.

Vera Pinto will talk about how Space matters when it comes to making society more inclusive. Beyond strategic and daily-life applications, Space-based services and applications can, for example, help combat gender inequality, protect victims of violence, and support people with disabilities. 

The audience will have an opportunity to ask questions in dialogue with Vera Pinto.

SpaceWatch.Global is a Switzerland-based digital magazine and portal for those interested in space and the far reaching impact of the space sector.

This Space Café WebTalk will be conducted in English.

 

 

Os meus dois centavos a respeito do Dia Internacional da Mulher na Ciência

Fevereiro 11, 2020

Vera Gomes

Escrito para o NUCLIO - Núcleo Interactivo de Astronomia e publicado no Portal do Astrónomo

 

Eu tinha cerca de 19 anos quando fui ao meu primeiro encontro de observação noturna. Era um encontro de astrónomos amadores, um grupo que se reunia todos os meses por ocasião da Lua nova para observar estrelas e planetas. Eu era a única rapariga no grupo. E a única da área de ciências sociais.

A minha paixão pelo espaço tinha começado uns anos antes, quando ainda frequentava a escola secundária. Nessa altura comecei a ler mais sobre estrelas e planetas; a internet acabava de chegar a Portugal e deu-me acesso a todo um novo mundo. Estava completamente fascinada pelas fotos do espaço, as curiosidades sobre os planetas e os livros de Carl Sagan. Ao longo do tempo, habituei-me a ser a única presença feminina nos eventos de observação noturna. Ouvi as preocupações da minha mãe acerca de estar no meio do nada com um grupo de homens: “faz o que tu quiseres, mas tem cuidado com as más línguas: afinal de contas, isto é uma vila muito pequena!”

A minha paixão pelo espaço continuou a crescer, e resolvi fazer a minha tese de Mestrado sobre Política Espacial. Tive de lidar com as piadas acerca do tema, o questionar constante sobre a minha escolha, o seu propósito e a sua utilidade para o meu país. Mas não desisti! E uns anos mais tarde, fui recrutada para trabalhar com os programas espaciais da União Europeia de navegação por satélite: Galileo e EGNOS.

Tal como nos encontros de observação noturna, habituei-me a ser a única mulher na sala na maioria das minhas reuniões, sobretudo se se debruçassem sobre temas mais técnicos, ou fossem reuniões de alto nível com alguns dos atores principais na área do espaço na Europa. A minha experiência pessoal é apenas o reflexo da desigualdade de género no sector do espaço.

O sector espacial tem profissionais altamente qualificados por todo o mundo. Tem, principalmente cientistas e engenheiros, mas inclui também outras profissões de apoio onde existe maior representação feminina (por exemplo, gestão e apoio legal). A desigualdade de género no sector espacial não é algo novo. Tem persistido ao longo das décadas. As mulheres representavam cerca de 20% dos profissionais do espaço em 2016, o que está na mesma linha que os números… de há 30 anos! Este facto é também consequência da persistente baixa percentagem de raparigas e mulheres que escolhem estudar na área das ciências, tecnologia, engenharia e matemática.

Temos que ter presente que ciência e igualdade de género são vitais para alcançar os objectivos de desenvolvimento sustentável que foram internacionalmente acordados, incluindo os que estão definidos na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Em particular, o objectivo n.º 4 – educação de qualidade; objectivo n.º 5 – igualdade de género; e objectivo n.º 10 – reduzir as desigualdades. Nos últimos 15 anos, a comunidade global tem feito esforços para inspirar e empenhar mulheres e raparigas na ciência. Mas ainda há muito para se fazer!

Na minha opinião é importante o uso contínuo e sistemático de modelos, tanto femininos como masculinos, e continuamente mostrar exemplos positivos aos jovens. Isto é uma ferramenta importante para quebrar os estereótipos ligados às carreiras profissionais. O Espaço tem uma série de modelos excepcionais para oferecer, além dos suspeitos do costume: Valentina Tereshkova (primeira mulher no espaço), Svetlana Savitskaya (primeira caminhada espacial); Susan Helms (primeira mulher numa expedição à Estação Espacial Internacional); Claudie (André-Deshays) Haigneré (primeira astronauta e ex-ministra francesa); Mae Jemison (primeira mulher afro-americana a ir ao espaço); Eileen Collins (primeira mulher piloto e comandante do vaivém americano), e ainda assim os seus nomes não são do conhecimento geral  nem, em particular, do de outras raparigas e mulheres.

Também precisamos de promover soluções baseadas nos serviços e dados que o Espaço oferece como facilitadoras de um mundo mais aberto e inclusivo, e para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. O Espaço tem uma enorme contribuição a dar para tornar o mundo mais sustentável, justo e inclusivo. Por exemplo, o Espaço pode ajudar a reduzir desigualdades de género no que concerne a violência e tráfico humano.

Eu acredito verdadeiramente que o Espaço importa no que diz respeito ao direito das mulheres de beneficiarem da Ciência e da Tecnologia. O caminho a seguir deverá ser o de construir estratégias que assegurem que os benefícios espaciais estão de facto acessíveis a todos, e que o próprio sector espacial se torne mais inclusivo e mais diversificado. Isto, é para mim, a prioridade pela qual todos nós deveríamos lutar nos anos vindouros.

 

ENGLISH VERSION

I was around 19 years old when I attended my first stargazing event. It was a gathering of amateur astronomers that would meet every month, at the New Moon, to look at stars and planets. I was the only girl in the group. And the only one with a background in the social sciences.

My passion for space had started a few years earlier, when I was in high school. I started reading more about stars and planets; the “internet” was just arriving to Portugal and it gave me access to a brand new world. I was overwhelmed by the space photos, the fun facts about planets and Carl Sagan books. Over the years, I got used to being the only woman in stargazing gatherings. I heard my mum’s concerns about being in the middle of the woods with a group of men: “do what you want, but be aware of the gossip: it is a small village!”

My passion grew further, and I decided to pursue my Master’s thesis in Space Policy. I had to cope with the jokes about it; the constant questioning about my choice, its purpose, and how useless the topic I chose to study was for my country. But I did not give up! And a few years later I joined the European Satellite Navigation projects at the European Commission: Galileo and EGNOS.

Like in the stargazing gatherings, I got used to being the only woman around the table in most of my meetings, especially on those focusing on more technical aspects, or on high level meetings with space stakeholders. My personal experience is just a reflection of the gender gap in the space sector.

The space sector has highly skilled professionals around the world. It comprises mainly scientists and engineers, but it also includes other support professions in which women are better represented (e.g. business, legal). The gender gap in the space sector is not something new. It persisted for decades! Women represented only 20% of space industry employees in 2016, which is in line with the numbers of… 30 years ago! This is also a consequence of the persistently low percentage of girls and women pursuing studies in science, technology, engineering and mathematics.

We need to keep in mind that science and gender equality are vital for the achievement of the internationally agreed development goals, including the United Nations 2030 Agenda for Sustainable Development. In particular, goal number 4 – quality education; goal number 5 – gender equality; and goal number 10 – reduced inequalities. Over the past 15 years, the global community has made efforts in inspiring and engaging women and girls in science. But there is still much more to be done!

It is my opinion that it is important to use role models in a systematic manner, both male and female, and continuously set positive life examples for young people. This is an important tool to help in breaking gender-related career stereotypes. Space has outstanding role models beyond the usual suspects: Valentina Tereshkova (first woman in space), Svetlana Savitskaya (first woman to walk in space); Susan Helms (first woman in an International Space Station expedition); Claudie (André-Deshays) Haigneré (french politician and former astronaut); Mae Jemison (first afro-american woman to go to space); Eileen Collins (first female shuttle pilot and shuttle commander) – and yet their names are not well known to the public in general, girls and women in particular.

We also need to promote space-based solutions as enablers when it comes to making the world more open and inclusive, and for the achievement of the Sustainable Development Goals. Space has a huge contribution to give to make the world a more sustainable, fair and inclusive world. For example, space can help to combat gender inequality when it comes to violence and human trafficking.

I truly believe that space matters when it comes to the rights of women to benefit from science and technology. The way forward should be to build strategies that ensure that space benefits really reach one and all, and that the space sector itself becomes more inclusive and diverse. This is, for me, a priority that all of us should pursue in the years to come.

Regulamento das atividades espaciais em Portugal

Junho 26, 2019

Vera Gomes

 

 

A ANACOM, enquanto autoridade reguladora espacial e no âmbito do respetivo procedimento de consulta pública, organiza um workshop para debater o projeto de regulamento sobre as atividades espaciais. O evento tem lugar a 5 de julho de 2019, às 14h30, na Fundação Portuguesa das Comunicações (FPC), em Lisboa. Mais informação pode ser consultada em https://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1474577.

 

Este projeto de regulamento pretende garantir a otimização de recursos e a simplificação, celeridade e eficácia dos procedimentos relativos às atividades espaciais, de modo a minimizar a carga administrativa sobre as empresas e a facilitar o acesso do maior número de operadores interessados no exercício de atividades espaciais em Portugal, atribuindo simultaneamente elevada exigência no que respeita à salvaguarda dos interesses de segurança, de prevenção de danos e de redução do impacto ambiental dessas atividades.

 

Por seu lado, o Aviso relativo ao procedimento de consulta pública sobre este projeto foi publicado em Diário da República a 24 de junho de 2019, dispondo agora os interessados de 15 dias úteis para se pronunciarem, por escrito e em língua portuguesa. Os comentários deverão ser enviados, até 15 de julho de 2019, preferencialmente por correio eletrónico, para o endereço reg.espaco@anacom.pt.

 

Os documentos para a consulta pública estão disponíveis aqui: https://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1473662

 

A participação no workshop é livre mas limitada aos lugares disponíveis, estando sujeita a inscrição prévia através do preenchimento do formulário disponível aqui.

Valente Valentina: o discurso que não li na apresentação do livro infantil mais fantástico de sempre!

Junho 17, 2019

Vera Gomes

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  1.  

 

561 é o número de pessoas que foram ao Espaço. Alguém sabe quantas dessas pessoas foram mulheres?

 

  1.  

 

Em 67 anos, desde que pusemos o primeiro satélite no Espaço, pouco mais de 10% das pessoas que já foram ao Espaço foram mulheres.

 

No dia 16 de Junho de 1963, Valentina Tereshkova subiu ao Espaço - 6 anos depois do Sputnik (o primeiro satélite); 3 anos depois do primeiro homem no Espaço, Yuri Gagarin.

 

De origens humildes, Valentina deixou a escola aos 8 anos. Mas nunca - nunca - deixou de sonhar. A sua ambição fez com que continuasse a aprender e investir na sua formação enquanto trabalhava como operária. A sua determinação e formação em salto de paraquedas foram cruciais para que fosse selecionada para o voo da Vostok-6.  

 

A gaivota - o seu nome de código - tornou-se assim a primeira mulher no Espaço e a única até hoje que o fez sozinha. Se foi fácil? Claro que não! A sua missão teve os seus desafios, teve os seus percalços, que a Andreia fez toda a questão – e muito bem – de manter na história. A escova de dentes e a nave a afastar-se da Terra são alguns desses detalhes.

 

Valentina era também uma rebelde! Quando aterrou violou todas as regras: deu tudo o que tinha à população que a ajudou e jantou com eles!

 

Recentemente, Valentina, que acumulou bastantes prémios e reconhecimentos ao longo da sua carreira, partilhou o seu desejo de voltar a Marte. Mesmo que seja só um bilhete de ida!

 

É por tudo isto, que confesso: mesmo com 38 anos, senti-me uma criança de olhos a brilhar a ler o texto que a Andreia escreveu.

 

Estou certa, que miúdos e graúdos igualmente se entusiasmarão com a história da Valente Valentina!

 

Estou certa, que as todas as crianças quererão saber mais sobre estrelas, planetas, viagens ao Espaço. Estamos no sítio certo - o Pavilhão do Conhecimento- para a satisfazer as mentes mais curiosas.

 

Estou certa, que a Andreia e a Rachel, aceitarão de bom grado o desafio de escreverem e desenharem mais histórias de mulheres pioneiras no espaço.

 

Sim, a Valentina foi uma pioneira mas não foi a única! Há mais pioneiras que desbravaram o caminho na exploração espacial. Alguns exemplos:

         - Svetlana Savitskaya a 25 Julho 1984 fez a primeira caminhada espacial

- Sally Ride, em 1983 tornou-se a primeira americana no Espaço;

- Peggy Whitson, a mulher que passou mais tempo no Espaço (fez 10 EVA’s)

- Susan Helms: das que mais vezes esteve no espaço (5) e Actividade Extra-veicular mais longa (8,93 horas) em 2001.

 

É certo que desde o lançamento do Spunitk e da ida da Valentina ao espaço, muita coisa mudou no mundo e em Portugal:

         - ao contrário da minha avó, não preciso de pedir autorização ao meu marido para viajar, ou trabalhar.

         - ao contrário da minha avó, não preciso pedir autorização ao Estado para casar por causa de uma profissão, como era o caso das enfermeiras e professoras.

- ao contrário da minha avó, posso ser proprietária da minha casa, do meu carro e votar!!

 

E ainda assim, o número de mulheres em carreiras ligadas à STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) é reduzido – cerca de 25% dos trabalhadores desta área são mulheres.

 

Se pensarmos na área espacial: o número de mulheres é ainda mais reduzido! Embora tenha notado uma evolução positiva nos últimos anos, com maior participação em eventos de gerações mais novas de mulheres, certo é que ainda nos dias de hoje, infelizmente, sou a única mulher à volta de uma mesa de reuniões!

 

Foi por isso que a primeira vez que a Andreia falou comigo de imediato apoiei este projecto sem qualquer tipo de hesitação.

 

Porque escrever este livro, é inspirar gerações, é apostar num futuro com mais igualdade, com mais conhecimento e um mundo mais justo!

 

Os livros têm também o poder de mudar o mundo! E certamente que todos os que estão aqui na sala, têm um livro que os marcou para o resto da vida!

 

Sei que fui muitas vezes o advogado do diabo, que algumas vezes soei pessimista, que fui picuinhas e por vezes levei a Andreia à loucura por dar mais perguntas que respostas.

 

É por isso, pela coragem, audácia e determinação - tal como a Valentina -, que a Andreia teve para estarmos todos aqui hoje a conhecer a Valente Valentina, peço a todos uma salva de palmas!!

 

P.S.: Visitem o site Valente Valentina e podem igualmente comprar o livro. 

É já na próxima semana!

Janeiro 18, 2019

Vera Gomes

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Janeiro marca o ínicio de um novo ano, mas significa também mês da European Space Policy Conference que se realiza há 11 anos em Bruxelas. 

 

Este ano, a conferência tem lugar de 22 e 23 de Janeiro, sob o tema "Space for Europe, European Space in the World". Ao verem o programa, poderão ver que este ano tem algumas novidades no formato, e sobretudo, pela primeira vez, um Ministro português irá discursar (no passado Carlos Moedas, Comissário Europeu, já tinha participado). É verdade, Manuel Heitor, Ministro da Ciência e Tecnologia e que tem colocado Portugal no mapa do Espaço por querer construir um spaceport nos Açores, estará em Bruxelas a participar numa mesa redonda sobre "European Space Strategy: New Programme for 2030". 

 

Podem seguir o evento no Twitter com a hashtag !

É já na próxima semana!

Novembro 30, 2018

Vera Gomes

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Começa na próxima segunda-feira e dura até quinta, dia 6 de Dezembro, a EU Space Week. Este evento que junta múltiplos acontecimentos relacionados com o programa espacial da União Europeia, terá lugar em Marselha (frança) e é o maior evento sobre o Copernicus, Egnos e Galileo de 2018. Podem ver o programa na íntegra no site e ir seguindo a minha conta no twitter para ir vendo as novidades (@Astropolitica

 

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A maior conferência de política espacial europeia acontece na próxima semana!

Janeiro 15, 2018

Vera Gomes

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A décima edição da European Space Policy tem lugar em Bruxelas 23 e 24 de Janeiro. Sob o tema "More Space for Europe", a conferência irá debater, entre outros, Espaço e Defesa. 

 

Do painel de oradores constam Comissários europeus e CEO's de várias companhias espaciais europeias. 

 

Podem ver o programa em detalhe, aqui

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